sábado, 14 de setembro de 2013

Mudando de assunto... livro de cabeceira: O Caderno de Maya

Terminei de ler o último romance escrito de Isabel Allende (acho que foi o último que ela publicou) intitulado “O caderno de Maya”. Logo no lançamento deste livro, fiquei um pouco reticente e não o comprei, comecei a ler outro livro desta autora (o primeiro que lia dela) e gostei muito da narrativa dela, foi assim que meses mais tarde decidi ler “O caderno de Maya”.

A minha primeira impressão era de que seria um livro cheio das aventurinhas que os adolescentes normalmente vivem, mas não, este é barra pesada. Maya que na altura em que escreve no seu caderno tem 19 anos já viveu muito mais intensamente do que eu, por exemplo. Exilada em uma ilha no Chile o livro é uma narrativa na primeira pessoa que se passa em dois tempos: um no presente, na ilha, e outro no passado próximo, na América.

Maya é criada pelos avós paternos: uma refugiada da ditadura do Chile e um astrónomo americano negro. Após a morte do avô, Maya cai em um turbilhão de desgraças porque não consegue superar a perda e assim vê-se envolvida com drogas, bebidas, golpes, prostituição e vê-se perseguida por bandidos e o FBI, daí culmina o seu exílio no Chile onde vive novas experiências.

Eu gostei muito do livro, eu adoro narrativas na primeira pessoa e os detalhes com que a escritora escreve é fantástico, faz-nos sentir a cena, parece que estamos no local. Depois de ler este livro parece que eu já conheço a pequena ilha de Chiloé e Las Vegas, a sensação que tenho é que já estive lá. Conhecemos os pormenores da vida na rua, dos toxicodependentes e até mesmo sentimos na pele o sofrimento das pessoas que foram torturadas pela ditadura de Pinochet.

É um livro forte que toca em assuntos muito fortes como as drogas, a violência e a até a ditadura militar. Faz-nos refletir sobre a vida, sobre o quão é importante cada decisão que tomamos, sobre as escolhas erradas que fazemos que podem nos marcar para o resto da vida. Muito bom, eu recomendo.

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