Quando eu era criança, ser mãe no futuro era um pensamento natural. Sou menina então vou ser mãe um dia, era assim que eu pensava. Até escolhia nome para os filhos que viria a ter: Ana Carolina, Amanda, etc. E gostava muito de brincar com o a minha boneca que era um bebé e que ainda hoje a tenho.
Depois veio a adolescência e com ela os complexos e inseguranças. Nunca namorei, mas a vontade e a certeza de que seria mãe continuava muito presente. Eu tinha certeza que um dia aconteceria, eu encontraria o homem perfeito e com ele teria os nossos filhos.
Quando chegou a idade adulta isso mudou, continuava cheia de complexos e inseguranças e sem namorado à vista. Foi aí que eu comecei a "cair na real" e compreendi que o facto de ter nascido menina não faria de mim mãe com certeza. Eu via pelas minhas irmãs que são 10 anos mais velhas do que eu e das três, apenas uma teve uma filha.
Mas enfim, eu casei, o homem perfeito apareceu e foi aí que eu percebi que ter filhos não é uma questão de ter apenas um parceiro. Claro que para muita gente por esse mundo afora ter filho e a coisa mais natural do mundo, vão tendo e vão jogando na vida. Mas para mim não é bem assim. É mais complexo.
Eu precisava de alguém que me desse força e que estivesse do meu lado, aqui neste país só tenho o meu marido que tem tantas dúvidas quanto eu. Não posso trazer uma criança para este mundo se eu passo treze horas do meu tempo fora de casa, quem iria educar esta criança? Eu? Não! Não poderia molda-la aos meus costumes.
O que é certo é que o tempo esta se esgotando para mim, e o tempo é cruel, não tem pena de ninguém. Mas eu ainda não consigo decidir, ultimamente tenho pensado muito nisto e não tenho conseguido tomar uma decisão. As vezes penso que deveria engravidar e depois ver no que vai dar, como fazem grande parte das mulheres, mas falta coragem. Eu também tenho muita vontade de adotar uma criança, dar esperança e oportunidade para uma criança que não teve sorte de nascer em uma lar equilibrado.
De uma coisa tenho certeza, se eu continuar assim, o tempo vai me castigar com solidão e sei que vou me arrepender de não ter tido coragem para tomar a decisão ter pelo menos um filho. Mas eu ainda não consigo decidir.






